Tudo o que Você Sempre Quis Saber Sobre Juízes de Cerveja Mas Tinha Medo de Perguntar

Tudo o que Você Sempre Quis Saber Sobre Juízes de Cerveja Mas Tinha Medo de Perguntar
22/06/2015 José Roberto Rocha

No último dia 24/5 foram anunciados os vencedores do 1º Concurso de Cerveja Artesanal do Distrito Federal, momento histórico para a ACervA Candanga, que muito dificilmente será esquecido por todos os envolvidos – associados em geral, interessados, amigos, concorrentes, patrocinadores, apoiadores e, claro, nossos valorosos juízes. Afinal, de que serve organizar um concurso sem a certeza de proporcionar aos inscritos um julgamento criterioso e imparcial?

Ronaldo Rossi

Ronaldo Rossi

Sobre o assunto, o Guia de Estudo para os Exames de Cerveja do Beer Judge Certification Program – BJCP 1O Beer Judge Certification Program – BJCP é um programa fundado em 1985 nos EUA voltado à certificação e classificação de juízes de cerveja. aponta que a avaliação formal de cervejas possui três propósitos principais: primeiro, fornecer ao cervejeiro uma resposta embasada de como sua receita representa o estilo pretendido; segundo, apresentar recomendações para que os eventuais problemas da cerveja sejam solucionados; e terceiro, garantir um método imparcial para selecionar e reconhecer cervejas de destaque.

Tratam-se de objetivos nobres e plenamente realizáveis – os únicos que valem a pena estabelecer, diga-se de passagem – que certamente estavam em mente da primeira à última amostra de cerveja avaliada por nossa comissão julgadora. Como aponta Ronaldo Rossi, um de seus mais experientes participantes, “se o cervejeiro levar o feedback tão a sério como eu levo a avaliação, ele vai conseguir melhorar a sua cerveja. Poder ajudar a melhorar o cenário cervejeiro não tem preço”.

Este artigo é justamente um esforço para conhecer um pouco mais os perfis dos 9 juízes do 1º Concurso de Cerveja Artesanal do Distrito Federal, e, a partir dessa amostra, construir uma ideia mais ampla do que constitui essa atividade, às vezes inglória, muitas outras invejada, que é julgar cervejas em competições Brasil afora.

Nesse sentido, abaixo encontram-se breves currículos, fotos e alguns depoimentos colhidos junto aos juízes convidados. Bom proveito e um brinde a todos!


Juízes

  1. Carlos Vitor Müller – DF: Juiz de Cervejas certificado pelo BJCP; Mestre Cervejeiro formado pelo VLB-Berlin; Fiscal Federal Agropecuário do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, atualmente lotado na Coordenação Geral de Vinhos e Bebidas.
  1. Fábio Caldas

    Fábio Caldas

    Fábio Caldas – DF: Sommelier de Cervejas pelo Instituto Doemens/Senac; cervejeiro caseiro desde 2012, ministra palestras e degustações orientadas para iniciantes; organizador do Käfer Doomsday, evento sem fins lucrativos da Cervejaria Käfer em Brasília.

  1. Guilherme Ferreira – SC: Sommelier de Cervejas pela Associação Brasileira de Sommeliers – ABS/SP (2010); cervejeiro caseiro com atuação em comércio de cervejas especiais, atualmente está abrindo a Cervejaria Loop na grande Florianópolis.
  1. Leonardo Mustafa – DF: Sommelier de Cervejas pelo Instituto Doemens/Senac; esteve à frente da Boutique do Godofredo, em Brasília, onde desempenhou trabalho frente ao atendimento, serviço, gestão sensorial e harmonizações com cervejas; em 2014, colaborou com o auxílio e serviço aos Juízes do Concurso Nacional das ACervAs 2O Concurso Nacional das ACervAs é realizado anualmente no âmbito do Encontro Nacional das ACervAs, cuja décima edição ocorreu em Porto Alegre entre 4 e 6/6/15. realizado em Salvador – BA.
  1. Leo Sassen – RS: Juiz de Cervejas certificado pelo BJCP; começou a fazer cerveja em 2004 na Confraria da Cerveja “Bierkeller” na SOGIPA em Porto Alegre; fundador da Acerva Gaúcha, foi integrante da cervejaria não-comercial gaúcha BSG.
  1. Luan Felipe Ferre – SP: Juiz de Cervejas certificado pelo BJCPSommelier de Cervejas pela Associação Brasileira de Sommeliers – ABS/SP (2013); fundador do blog Brejada.com; semi-finalista do 1º Campeonato Brasileiro de Sommeliers de Cerveja.
  1. Rogéria Xerxenevsky – SP: Tecnóloga em Gastronomia pela UNIP-SP (2008); Cozinheiro Chef Internacional pelo SENAC-SP (2010); Sommelier e Mestre em Estilos pelo Instituto da Cerveja em São Paulo (2014); experiência em harmonização de alimentos e bebidas e na organização de eventos; sócia-diretora da Microcervejaria X, primeira cervejaria cigana do DF, atuando na análise sensorial dos produtos, harmonização e gestão comercial.

    Thais Guedes

    Thais Guedes

  1. Ronaldo Rossi – SP: Chef de Cozinha, professor e consultor na área de gastronomia; professor titular no curso de formação de Sommelier de Cervejas oferecido pela Doemens Academy no Brasil; fundador da Cervejoteca.
  1. Thais Guedes – DF: Sommelier de Cervejas pela Associação Brasileira de Sommeliers – ABS/SP (2014); presta consultoria e participa de eventos de degustação/harmonização de cervejas especiais.

Depoimentos

Qual é sua avaliação do atual cenário de concursos cervejeiros no Brasil?

O cenário dos concursos no Brasil demonstra uma franca expansão da produção caseira de cervejas, cada vez mais concursos regionais e estaduais são realizados com crescente número de participantes e amostras. Também observo grande melhoria técnica nas amostras apresentadas nos concursos, defeitos graves como amostras contaminadas têm diminuído. (Carlos Vitor Müller)


Com a vinda do BJCP para o Brasil, o nível dos concursos e das amostras tem melhorado consideravelmente. A tendência é um aumento gradativo nos próximos 2 anos e provavelmente um salto grande depois disso, graças a facilidade que terá de treinar juízes e cervejeiros para as competições quando o número de juízes e de campeonatos for crescendo. (Guilherme Ferreira)


Leonardo Mustafa

Leonardo Mustafa

Estamos caminhando de forma bastante segura e objetiva, trazendo para o conjunto de avaliadores profissionais formados por escolas de renome – Instituto Doemens, Siebel Institute, etc. – cervejeiros, Sommeliers de Cervejas, bem como juízes credenciados pelo BJCP. (Leonardo Mustafa)


Estamos tendo um profissionalismo cada vez maior nos concursos cervejeiros no Brasil. Principalmente porque começamos a adotar critérios já estabelecidos no mundo, adotados pelo BJCP, que tem um guia de estilos de cerveja e um treinamento especial rigoroso para as pessoas que querem ser juízes. Antigamente qualquer um podia dizer que era juiz de cerveja, hoje a pessoa tem que ter um estudo técnico. (Leo Sassen)


Apesar do trabalho legal que as ACervAs desenvolvem, ainda temos poucos concursos no Brasil. Cada ACervA desenvolve, no máximo, 3 ou 4 concursos ao ano, muito pouco principalmente para nós juízes. Quanto à organização dos concursos, sempre somos surpreendidos positivamente pelo trabalho das ACervA e organizadores. Quando o assunto é concurso para cervejarias profissionais, como os campeonatos que “medalham” as cervejas, nunca fomos convidados por sermos juízes certificados. Já sabemos que é a “patota” que vai julgar o concurso. No geral, ainda estamos longe dos nossos vizinhos do Norte, mas estamos caminhando bem. (Luan Felipe Ferre)


Rogéria Xerxenevsky

Rogéria Xerxenevsky

Eu penso que está a cada ano crescendo mais com o incentivo das ACervAs e de outras empresas privadas no segmento cervejeiro. A cada novo concurso percebemos mais experiência das equipes julgadoras na seleção das amostras, no entanto, pensando em Centro-Oeste, Norte e Nordeste do Brasil, a cultura ainda está em nascimento e requer mais incentivo e precursores para que tenhamos oportunidades de novos concursos além dos oferecidos no Sul e Sudeste. (Rogéria Xerxenevsky)


Estamos em um momento de transição: muitos dos cervejeiros mais experientes deixaram de ser amadores conseguindo profissionalizar as suas cervejas. A geração mais nova ainda não tem a experiência dessa primeira geração, que teve muitos anos para aprimorar técnica e receitas. Por um lado, é um problema, porque sabemos que, na média, as cervejas ainda não estão no ideal, mas, por outro lado, sabemos que em breve esse pessoal terá muito mais experiência com a vantagem de hoje em dia termos muito mais acesso à informação, muito mais cursos, concursos, livros, qualidade de equipamento e matérias primas. Vem coisa muito boa por aí! (Ronaldo Rossi)

Qual a importância dos concursos dedicados a cervejeiros caseiros e que papel você enxerga para as ACervAs nesse contexto? Alguma expectativa específica para o primeiro Concurso da ACervA Candanga?

Os concursos são um marco na vida do cervejeiro caseiro, normalmente são sua primeira oportunidade de receber uma análise crítica de caráter técnico sobre suas cervejas, se bem utilizados, os recursos obtidos após um concurso podem determinar significantes melhorias na produção. (Carlos Vitor Müller)


Guilherme Ferreira

Guilherme Ferreira

É um papel fundamental das ACervAs organizar e incentivar seus sócios a participarem de concursos, pois isso os motiva a produzirem suas cervejas e, com o feedback recebido dos juízes, eles podem melhorar ainda mais suas cervejas e ficar cada vez mais apaixonados pelo hobby e arte de fazer cerveja. Sobre o concurso da ACervA Candanga acredito que será uma ótima experiência poder ver o que o pessoal está produzindo mais no centro do país, onde a cultura, os costumes e o clima são muito diferentes dos com que estou acostumado a conviver (nasci e moro em Florianópolis, cidade litorânea). Como já fiquei sabendo por parte dos organizadores, o evento já é um sucesso e superou a todas as expectativas de números de amostras que eles tinham quando idealizaram o concurso. (Guilherme Ferreira)


Os concursos promovidos pelas ACervAs, dedicados aos cervejeiros caseiros, tem vital importância para o fortalecimento da emancipação e consolidação das cervejas não comerciais, produzidas em casa de forma não industrial no Brasil. As avaliações por meio das degustações e análises dos juízes em concursos trazem novos elementos sensoriais que nem sempre o mais atento e dedicado cervejeiro pode aferir. Com isso, essas observações trazem informações que poderão consagrar ou mesmo determinar os parâmetros exigidos para cada estilo de cerveja, bem como possíveis ajustes que cada cervejeiro poderá fazer em suas próximas criações. Busca-se com isso a melhoria da qualidade da cerveja, sem demérito de técnicas, equipamentos, ou mesmo experiência do cervejeiro caseiro associado ou não. (Leonardo Mustafa)


A maior parte das novas cervejarias artesanais que estão surgindo no mercado brasileiro vieram do movimento dos cervejeiros caseiros e foram eles que impulsionaram este mercado. As ACervAs são fundamentais para fazer o movimento crescer em uma região. Fico muito contente de poder ajudar a ACervA Candanga neste primeiro concurso regional. (Leo Sassen)


Luan Felipe Ferre

Luan Felipe Ferre

O principal objetivo desses concursos é que o cervejeiro tenha um feedback honesto e independente sobre sua cerveja, para que ele possa melhorar suas brassagens. É importante que o caseiro não tenha vaidade de receber uma crítica construtiva sobre sua cerveja e lembrar que nós estamos no concurso para ajudá-los. Conheci alguns membros da ACervA Candanga nas mesas dos bares da vida e entendi que eles estão bastante motivados a fazer o movimento crescer em Brasília, por isso minha expectativa é que o concurso seja bem legal e que possamos experimentar ótimas cervejas. (Luan Felipe Ferre)


Vimos acontecer a fundação da ACervA Gaúcha em meados de 2007, participamos do crescimento da ACervA Paulista como associados desde 2010, e hoje incentivamos a ACervA Candanga. Sem dúvida nenhuma, principalmente considerando os prêmios recebidos pelas cervejas do meu marido X, as ACervAs têm um papel fundamental: a disseminação da cultura e o desenvolvimento dos caseiros. Isso vai além e serve como estimulo de profissionalização. Nasce a cada ano uma leva de profissionais motivados pelos concursos promovidos pelas ACervAs a empreender no segmento colocando suas cervejas, premiadas ou não, no mercado.

Minha expectativa com o primeiro concurso da ACervA Candanga, é que o movimento cresça na região, que a cada concurso os cervejeiros associados busquem o aprimoramento de suas receitas, e que a região se desenvolva com o aparecimento de, quem sabe, cervejarias e cervejeiros ciganos em Brasília. (Rogéria Xerxenevsky)


Para os iniciantes é uma chance incrível de ter uma avaliação da sua cerveja. Os amigos e os familiares tendem a elogiar por carinho e normalmente não reconhecem falhas técnicas. Os jurados fazem a avaliação impessoal, às cegas e conseguem passar a sua opinião. O feedback apresentado no final da ficha pode servir como um guia para aprimorar a sua receita. É uma grande oportunidade para os cervejeiros caseiros poderem participar de eventos promovidos pelas ACervAs: além da festa e confraternização, é uma grande troca de informações e aprendizados (Ronaldo Rossi)

Como você começou a julgar concursos cervejeiros? Era um objetivo pessoal ou algo que aconteceu naturalmente?

Carlos Vitor Müller

Carlos Vitor Müller

Sou cervejeiro caseiro desde 2008, e dentre o grupo de cervejeiros caseiros que eu habitava era um dos produtores mais experientes, assim quando começamos a realizar concursos locais e regionais sempre pude participar como avaliador. Daí em diante tornar-se um juiz BJCP foi uma consequência deste processo, uma forma de colocar um título em algo que eu já vinha realizando esporadicamente. (Carlos Vitor Müller)


Foi meio por acaso, já era cervejeiro caseiro a algum tempo e participava da ACervA Catarinense quando teve o Concurso Nacional em Florianópolis em 2010 (o 6º Concurso Nacional se eu não me engano). Na época estava terminando meu curso de Sommelier pela ABS-SP e fui convidado a participar como jurado no evento. Foi paixão à primeira degustada, podemos dizer assim. Desde então venho participando de concursos sempre que possível. Recentemente fiz a prova do BJCP para juiz oficial e pretendo continuar melhorando minhas percepções e podendo ajudar outros cervejeiros a melhorar suas próprias produções. (Guilherme Ferreira)


Nunca compus uma banca oficial de juízes em concurso de cervejas; apenas pude observar e aprender quando auxiliei os trabalhos dos juízes no Concurso Nacional das ACervAs realizado em 2014 em Salvador – BA.  Todavia, pela minha formação e continuada busca por conhecimentos do universo cervejeiro, estou apto e bastante feliz em poder fazer parte da banca de juízes do primeiro concurso da ACervA Candanga aqui em Brasília. (Leonardo Mustafa)


Fui um dos pioneiros a fazer cerveja artesanal no Brasil lá em 2004, quando não tínhamos muitos insumos e precisávamos viajar para outros países para trazer fermentos, maltes e equipamentos. Ajudei a fundar a ACervA Gaúcha e depois disso acompanhei todo o crescimento do mercado cervejeiro.

Conforme fui entendendo mais e estudando, comecei a gostar muito de fazer experiências e avaliar seus resultados. Isso me levou a estudar mais análise sensorial e aí descobri o programa de estudos do BJCP que ajudava em tudo isso. Fiz a primeira prova no Brasil do BJCP, que foi em Porto Alegre em 2011, e desde lá continuo estudando e julgando sempre que consigo para aprimorar meus conhecimentos: ser juiz aconteceu naturalmente. (Leo Sassen)


Comecei a gostar de cerveja em 2009 e desde então vim estudando o tema. Fiz o curso de Sommelier em 2012 e, nesse embalo, fiz a prova do BJCP. Me certifiquei na primeira tentativa e a partir daí entrei em contato com alguns organizadores, me colocando a disposição para participar dos concursos. Recebi alguns convites e desde então venho fazendo esse trabalho que considero muito gratificante. Pessoalmente, foi algo que eu busquei e gosto muito de fazer. (Luan Felipe Ferre)


Minha experiência em concursos ainda é pequena: oficialmente este o primeiro concurso que julguei, porém tenho sentidos muito aguçados na percepção dos aromas e sabores, talvez pela experiência gastronômica que tenho. Sou recém-formada em Sommelier e Mestre em Estilos, e tinha muita vontade participar para valer de um julgamento e essa oportunidade surgiu no primeiro concurso da ACervA Candanga. (Rogéria Xerxenevsky)


A primeira vez que julguei foi antes mesmo da formação de Sommelier. Sempre fui cervejeiro de carteirinha, nunca planejei isso, mas me diverti pacas com as oportunidades que vieram. (Ronaldo Rossi)

O que você mais gosta de sua atividade como juiz? Quais as experiências mais interessantes vivenciadas por você em concursos Brasil afora?

O melhor da experiência como juiz são os contatos e conversas realizados durante os concursos; trocar ideias e tomar umas boas cervejas com os colegas que trabalham no mundo cervejeiro. (Carlos Vitor Müller)


O mais legal do processo de julgamento é poder degustar uma infinidade de amostras em um curto espaço de tempo e poder ver as nuances de cada exemplar. A experiência adquirida em dia de julgamento é maior que muitos meses em “condições normais” no dia a dia de um cervejeiro caseiro, onde ele só tem a oportunidade de provar suas próprias produções, a de alguns colegas e alguns exemplos comerciais que ainda são muito caros para serem adquiridos em quantidade.

Mas além disso, muitas coisas são motivadoras no processo de julgamento. Viajar, visitar cidades, conhecer pessoas, trocar experiências… As maiores experiências são poder analisar cervejas com pessoas de renome no mercado cervejeiro nacional e internacional. Essas pessoas têm muito a ensinar e em poucas palavras eles tem o dom de mudar para melhor sua forma de avaliar, de produzir, de ver determinados estilos, de interagir com a cerveja, etc.

Certa vez, no meu primeiro evento como juiz, nada mais nada menos que Randy Mosher 3Randy Mosher é autor dos renomados livros Radical Brewing, 2004, Tasting Beer, 2009, e Mastering Homebrew, 2015, e também atua como designer de rótulos cervejeiros, sendo responsável, no Brasil, pelos rótulos da Cervejaria Colorado. sentou na nossa mesa de julgamento e com sábias palavras sobre uma Barleywine fez todos pararem para ouvir. No meio do comentário ele falou “Back in the late 70’s when i start judging…” (“No final dos anos 70 quando eu comecei a julgar…”). A única coisa que me veio na cabeça e que pude falar foi “Ah… I was born in 89.” (“Eu nasci em 89.”). Todos na mesa riram, é claro. (Guilherme Ferreira)


Analisar uma cerveja é a forma mais prazerosa de crescimento profissional. Por meio das degustações, construímos um painel sensorial capaz de entender e julgar melhor cada estilo de cerveja produzido com ética e, sobretudo, respeito ao produto e ao cervejeiro. Uma grande experiência que tive foi ter o prazer e a honra de conhecer nomes célebres como o dos presidentes do BJCP e da American Homebrewers Association 4A American Homebrewers Association – AHA é uma organização sem fins lucrativos dedicada ao aperfeiçoamento da comunidade de cervejeiros caseiros dos EUA. Fundada em 1978, atualmente conta com mais de 43.000 associados, publica a revista Zymurgy e organiza a maior competição de cerveja caseira do mundo.: Gordon Strong e Gary Glass, respectivamente. (Leonardo Mustafa)


Leo Sassen

Leo Sassen

O que eu mais gosto é quando chegamos nas cervejas da final, no mini-BOS e no BOS 5Best-of-Show: rodadas de avaliação que decidem as melhores cervejas de uma competição. (rodadas de avaliação que decidem os melhores da competição) e conseguimos achar cervejas maravilhosas. Julgar é um processo trabalhoso que necessita muita atenção. Durante este processo recebemos muitas cervejas com defeitos e temos de ajudar o cervejeiro a melhorar a cerveja. Esse é o principal objetivo.

Julgar cerveja é um aprendizado constante. Tive a oportunidade de julgar a final do Concurso Nacional de 2014 na Bahia junto com o Gordon Strong, presidente do BJCP  e juiz mais graduado mundialmente do BJCP (Grand Master VIII), e com outros juízes internacionais como o Scott Bickham (Grand Master III) e a Nicole Erny (National). Isso é um de aprendizado maravilhoso; aprendemos muito assim. 6De acordo com o BJCP, as categorias de juízes são, em ordem crescente, Apprentice, Recognized, Certified, National, Master e Grand Master, com as últimas duas classes passíveis de atribuição em caráter honorário.

Nosso trabalho é voluntário e sem remuneração, então tem que dar prazer, senão não vale a pena. (Leo Sassen)


Há alguns anos eu recebi o contato de um caseiro, que tinha feito uma IPA e queria meu feedback. Experimentei a cerveja dele, que estava com muitos problemas, e dei um feedback honesto com tudo que ele precisava para melhorar suas brassagens. Esse ano, esse mesmo cara ganhou uma medalha de ouro no Festival Brasileiro da Cerveja 7O Festival Brasileiro da Cerveja, realizado anualmente em Blumenau – SC, abriga o Concurso Brasileiro de Cervejas e é considerado o maior evento cervejeiro do país., com uma receita dele, da cervejaria que hoje ele trabalha. Isso é minha maior recompensa como juiz: saber que eu ajudei, nem que seja um pouco, alguém a ser melhor no que faz. (Luan Felipe Ferre)


Sem dúvida a análise sensorial de cada amostra apresentada e a descoberta de aromas e sabores. Em segundo lugar, a interatividade da equipe julgadora nas trocas de opiniões é uma experiência muito boa de se viver. Como havia dito, foi o meu primeiro concurso como juíza. Uma experiência interessante foi a conclusão dos juízes da mesa em estabelecer em comum acordo a melhor amostra apresentada. Isso é muito legal. (Rogéria Xerxenevsky)


Eu sou professor de vocação e acredito serem de grande importância as avaliações. Se o cervejeiro levar o feedback tão a sério como eu levo a avaliação, ele vai conseguir melhorar a sua cerveja. Poder ajudar a melhorar o cenário cervejeiro não tem preço.

Encontrar os amigos para o júri é sensacional, são poucas oportunidades de estarmos com os amigos de outros estados em uma mesa. Além da óbvia risadaria, já saíram desses encontros vários projetos profissionais bem-sucedidos e convites para outros encontros cervejeiros. 😉 (Ronaldo Rossi)

Notas de rodapé:   [ + ]

1. O Beer Judge Certification Program – BJCP é um programa fundado em 1985 nos EUA voltado à certificação e classificação de juízes de cerveja.
2. O Concurso Nacional das ACervAs é realizado anualmente no âmbito do Encontro Nacional das ACervAs, cuja décima edição ocorreu em Porto Alegre entre 4 e 6/6/15.
3. Randy Mosher é autor dos renomados livros Radical Brewing, 2004, Tasting Beer, 2009, e Mastering Homebrew, 2015, e também atua como designer de rótulos cervejeiros, sendo responsável, no Brasil, pelos rótulos da Cervejaria Colorado.
4. A American Homebrewers Association – AHA é uma organização sem fins lucrativos dedicada ao aperfeiçoamento da comunidade de cervejeiros caseiros dos EUA. Fundada em 1978, atualmente conta com mais de 43.000 associados, publica a revista Zymurgy e organiza a maior competição de cerveja caseira do mundo.
5. Best-of-Show: rodadas de avaliação que decidem as melhores cervejas de uma competição.
6. De acordo com o BJCP, as categorias de juízes são, em ordem crescente, Apprentice, Recognized, Certified, National, Master e Grand Master, com as últimas duas classes passíveis de atribuição em caráter honorário.
7. O Festival Brasileiro da Cerveja, realizado anualmente em Blumenau – SC, abriga o Concurso Brasileiro de Cervejas e é considerado o maior evento cervejeiro do país.

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